março 16, 2020

A Vida de Escritora #3: Rompendo relações com a impostora que há em mim


*nota pessoal do dia 30 de Outubro de 2019
**warning: esse texto é um desabafo, rs.

Já faz alguns meses que eu não termino um texto. Talvez mais de um ano. Toda vez que eu sinto as palavras fluindo, algo interrompe ou simplesmente parece que eu não tenho material suficiente para ir até o fim. E é por isso que eu estou escrevendo este texto. Eu não tenho muita coisa para te dizer com ele, nada profundo do meu coração. Eu simplesmente preciso quebrar o ciclo, porque eu preciso muito de boa vontade para escrever.

Os últimos meses, ou melhor, esse ano por completo tem sido muito difícil para mim. Eu acabei de me graduar em um curso que eu não planejei fazer, que simplesmente Deus proveu a partir da vontade dEle. O que é uma benção e demonstração do amor do Pai para comigo, já que eu amo muito o que eu faço… Mas parece que o mundo requer de mim o próximo passo, e eu não faço ideia qual é exatamente a coisa certa a se fazer. “Arrumar um emprego convencional ou investir no meu próprio negócio?” É a pergunta menos desafiadora para mim.


Não é reclamação, sabe!? Não é falta de gratidão. É só que a mudança me assusta absurdamente. Mudança de planos, de sonhos, de expectativas… E às vezes parece que eu não tenho com quem dividir todas as minhas inseguranças e a ansiedade, que sempre foi algo tão insignificante para mim, e agora parece um monstro gigante me atormentando como se eu fosse uma minúscula formiguinha. Eu mal consigo orar, meus pensamentos parecem uma bagunça e minhas emoções um papiro com inscrições que eu não consigo decifrar.

Ler a Bíblia é a única coisa que eu tenho conseguido fazer, mas também muito pouco. Minhas escolhas precipitadas durante esse ano, ou pior a culpa decorrente delas parece um fardo pesado, não nas minhas costas, mas dentro do meu coração. Perdoar a mim mesma tem sido o meu grande desafio. Tudo continua andando notavelmente bem para alguém que não tem dado o melhor de si no que está fazendo. Metade de mim, pelo menos, está sentada esperando algo diferente acontecer.


Como eu contei no meu último vídeo no canal do Whisper no Youtube, mais uma vez Jesus me presenteou com algo que eu não merecia, Ele me deu a pós-graduação for free, rs. E só um adendo: eu não entendo porque Ele ainda investe em mim… Mas eu escolhi fazer o MBA em Marketing Digital porque vai me ajudar bastante com meus trabalhos como designer. E eu não estou dando o meu melhor nele, o que me deixa péssima, já que eu detesto não fazer as coisas com excelência.

Uma das razões por quê eu não estou cem por cento nele é que diferente do Design Gráfico que é focado principalmente na comunicação do significado e valor do produto ou serviço em questão, o Marketing é focado em vender mesmo que você não seja apaixonado pelo que vende ou mesmo que aquilo não tenha substância… (Marketeiros que me perdoem.) Depois da minha primeira aula eu cheguei em casa chorando em crise existencial: eu me tornei uma fraude! Agora eu transpareço algo que eu não tenho, ou algo que eu não sou. A presente estação trouxe o pior de mim à tona, e eu estou apavorada.

“A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, ele será perdoado. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz.
Elias era humano como nós. Ele orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio. Orou outra vez, e os céus enviaram chuva, e a terra produziu os seus frutos.” Tiago 5:15-18



Eu amo o blog. A ideia sempre foi poder viver dele algum dia, e o design se apresentou como uma forma de viabilizar isso. Mas agora que eu trabalho como designer parece que a essência daquilo que eu faço se perdeu, ou está escondida em algum lugar dentro de mim que eu perdi a chave e não tenho mais acesso. Eu me vejo às vezes muito mais preocupada em criar conteúdo para o Instagram para fazer ele crescer do que em expressar a minha paixão por moda e acima de tudo, por Jesus.

Eu sou a impostora que eu mais temi me tornar, a fraude que sempre repudiei ver as outras pessoas se tornando. Porém o peso de tudo isso parece bem menor quando eu escrevo. É o que aconteceu enquanto os parágrafos deste post foram tomando forma… A verdade é que o que sempre me fez ser uma pessoa “bem-resolvida” é que eu nunca fui carente de um ouvido além do de Jesus para me ouvir, de alguém para entender minhas mazelas ou estar do meu lado nas minhas crises, porque eu sempre tive uma razão maior para minhas dores, e era de que elas fossem cura para aqueles que lessem meus textos.


Meus questionamentos e aflições têm apenas um propósito: eles são aprendizados meus com destino definido para o seu coração. Quando eu aqui interrompo esse fluxo me sinto muito sobrecarregada... E sobrecarregada é exatamente como eu tenho estado desde da última vez que escrevi até agora. Somente quando o meu fardo é compartilhado com você é que ele se torna bem mais leve para mim, mesmo que ele não diminua de tamanho ou importância. A minha perspectiva é mudada toda vez que eu escrevo, e eu amo muito Jesus por isso - dos meus maiores arrependimentos e incertezas Ele faz beleza e poesia.

““Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.” Mateus 11:28-30


S. x

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